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Sexualidade na terceira idade
Neida Vicente
neida.vicente@ihmt.unl.pt
Licenciada em Enfermagem. Mestranda do 2º ano do Mestrado em Saúde e Desenvolvimento do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.
2005

Idioma: Português
Palavras-chave: Terceira idade, sexualidade, saúde, envelhecimento, preconceito, relacionamento

O envelhecimento é um processo indutivo de várias mudanças no indivíduo, nomeadamente ao nível físico, mental e social. Estas mudanças tendem a afectar a expressão da sexualidade, na medida em que se torna necessário para a pessoa “idosa” redefinir objectivos, ou seja, reconhecer que está numa nova fase do ciclo vital, e que tal como as anteriores, está associada a determinados “acontecimentos padrão”, crises de desenvolvimento próprias da fase em questão.

O peso dos anos depende do significado que cada um lhe atribuir. Para muitos, ser idoso pode ser sinónimo de sabedoria e experiência a todos os níveis. Nas sociedades africanas o idoso é muito respeitado, porquanto é tomado como aquele que detém um conhecimento profundo sobre vários assuntos, porque já viu muitas coisas e transmite-as aos mais novos com sabedoria. Em contrapartida, nas sociedades ocidentais, devido ao aumento da esperança média de vida, ao idoso estão associados conceitos como a inactividade, doença, demência e assexualidade.

Relativamente à sexualidade, não está de modo algum comprovado que esta termine na terceira idade. Vejamos, o termo sexualidade não é sinónimo de acto sexual. A sexualidade envolve muito mais, ela pressupõe amor, carinho, sensualidade, fantasia e inteligência. Então, será que a velhice nos rouba tudo isto?

Segundo a OMS, o envelhecimento começaria a partir dos 65 anos. Contudo, é necessário reconhecer que a idade biológica tem maior importância que a cronológica, na medida em que a bioquímica cerebral, das emoções, pode apresentar níveis óptimos de funcionamento em termos biológicos em indivíduos com mais de 65 anos. Contrariamente a estes, poder-se-á encontrar níveis biológicos menos bons em jovens.

É importante saber que o envelhecimento não compromete necessariamente a sexualidade.

O homem é capaz de ter uma erecção peniana em qualquer idade, tal como a mulher consegue atingir uma lubrificação vaginal adequada e chegar ao orgasmo. Estas respostas sexuais só ficarão “comprometidas” se estiverem perante um bloqueio físico ou psicossocial (Lopes 1993:79).

Um outro aspecto significativo apresentado pelo mesmo autor é a monotonia sexual. A sexualidade não se pode circunscrever ao contacto de um pênis e uma vagina, o sexo pode ser o resultado de vários estímulos efectivos (auto-estimulação, fantasia, coito, entre outros.), nesta matéria a intuição é um ingrediente favorável, mas não essencial.

A resposta sexual humana apresenta três fases principais: desejo, excitação e orgasmo. Segundo Lopes (1993: 80), no que se refere ao desejo sexual na mulher idosa, as respostas encontradas são divergentes, variando da ausência do desejo até a exacerbação da líbido. Como refere o autor, estes resultados podem reflectir a influência da moral sexual na função biológica.

Ao contrário do que se pensa, a menopausa não constitui o fim da vida sexual. Gomes et al (1987: 99) referem que há, por vezes, um aumento da actividade sexual na menopausa que pode, entre outros factores, estar ligado ao desaparecimento do medo de engravidar.

Para J. Vegue (in Lopes, 1993: 80), a actividade sexual pode continuar durante um longo período após a menopausa, sem que hajam dificuldades mecânicas ou ausência de lubrificação vaginal e muitas vezes sem recorrer a terapêutica de substituição hormonal, desde que se mantenha um relacionamento sexual regular. A ausência de regularidade pode causar o aparecimento de distúrbios tróficos, impedindo desta forma contactos posteriores e originando distúrbios psicossexuais futuros.

“A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução individual, porém só desaparece com a morte.”

Myra e López cit por Lopes 1993:79

No homem idoso, sob um estímulo sexual eficaz, a erecção demora a estabelecer-se 2 a 3 vezes mais; uma vez obtida conserva-se bastante mais tempo sem ejaculação, sendo mais difícil obtê-la de novo se a perder antes da ejaculação. Na fase orgástica há um desaparecimento da primeira parte, isto é, não há contracção dos órgãos reprodutores, pelo que não haverá a sensação de inevitabilidade ejaculatória. A duração do período refractário aumenta consideravelmente. Normalmente, este satisfaz-se com 1 ou 2 ejaculações semanais, independentemente do contexto do coito ou exigências sexuais da parceira. Importa salientar também que para cada década regista-se uma diminuição progressiva na resposta sexual. Contudo, nunca se verifica o seu completo desaparecimento, Master e Johnson, 1966 (in Gomes, 1987: 97).

 

Referências Bibliográficas

Lopes, Gerson. Sexualidade Humana. 2ª edição. Rio de Janeiro. Medsi 1993. ISBN: 85-7199-058-1. pág77-81

Gomes et al. Sexologia em Portugal. 1ª edição, I Volume Lisboa. Texto editora 1987. pág 94-100


 
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