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Limites à tolerância
Nvunda Tonet
nvundat@gmail.com
Bacharel em Psicologia
2008

Idioma: Português
Palavras-chave:

 

A palavra tolerância deriva do latim tolerare (sustentar, suportar). É um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Na presente abordagem, propusemos a visão minuciosa em torno da relação terminológica na vida social. 

O ser humano desde cedo é orientado para o convívio social. A sua primeira experiência observa-se na família, mais tarde nas escolas e no círculo restrito de amigos. Ao longo desta experiência, ele percebe que não é capaz de conceptualizar a informação e ir à procura de soluções imediatas diante das contrariedades do percurso quotidiano.

I.

A individualidade e o facto de estar inserto na comunidade tornam-no num ser imperfeito, o que significa estar limitado sob diversos aspectos. Podemos dizer que há pessoas melhores que outras em determinados pontos.

Se o António é simpático e solidário, ao contrário o Magalhães é solidário, mas antipático. Os limites pessoais são diferentes e variam de acordo com a experiência pessoal de cada indivíduo.

Neste sentido, podemos dizer que não existem limites fixos, têm relação com a disposição corporal. Por exemplo, podemos dar prioridade ao candongueiro logo de manhã. Mas no período nocturno e depois de um longo dia de trabalho, podemos não tolerar, gritar e proceder de forma anticívica. Queríamos que este limite fosse mais elástico e cediço.    

O limite da tolerância tem por um lado a manutenção da individualidade e por outro a inclusão do indivíduo na sociedade. Se isto não ocorrer, alguns perdem a individualidade e outros são exclusos e preferem isolar-se do convívio social.

Hoje em dia, a tolerância pode ser considerada como uma virtude e apresenta-se como positiva. Esta é uma atitude social ou individual que nos leva, não somente a reconhecer o direito a opiniões diferentes, mas também de as difundir e manifestar pública ou privadamente.

Assim, John Locke iguala o conceito ao modo de parar de combater ao que se não pode mudar. Em relação ao convívio na diferença, na arena política em virtude da anunciada reconciliação nacional, os políticos devem primar pelo respeito à opção política de cada indivíduo, reverência ao adversário e cautela na comunicação tenaz que se proclama publicamente.

Neste contexto, devemos procurar dar maior primazia à família e às relações interpessoais que, nos últimos tempos, por diversos motivos, passaram para o segundo e terceiro planos na agenda diária. Zangamo-nos com pequeninas coisas e atribuímos demasiada importância aos bens materiais.

II.

Muitas vezes, o ser humano reivindica o seu desagrado através do silêncio sepulcral. No decorrer de uma consulta, perguntei a um paciente: "Não acha que a indiferença da sua esposa seja uma manifestação de descontentamento reprimido?".

 Ele ficou pensativo durante instantes e contou-me outras histórias que complementavam a ideia sobre a questão anteriormente descrita.

Tomás de Aquino concebe o termo tolerância como sendo o mesmo que a paciência. Não significa que se tolere a imoralidade ou desobediência, mas e, sobretudo, exercer a capacidade de compreensão e argúcia na interpretação dos fenómenos que surgem ao longo do percurso quotidiano.   

III.

Qual é a base para duas pessoas entrarem em discórdia? Em palavras simples, a base da discórdia resume-se na invasão do direito do outro, na ultrapassagem dos limites à tolerância, na incapacidade de compreensão mútua ou própria, na falta de empatia, no temperamento e na disposição corporal. Somos limitados, e isto se manifesta na maneira rude com que nos relacionamos muitas vezes com os outros.

A distância existente entre as pessoas, em parte, é criada por cada um de nós. Às vezes, percebemos que com algumas pessoas num primeiro momento se consegue chegar perto e falar sem gritar ou sem intermediário, mas nem sempre é assim.

IV.

É preciso usar a inteligência para encontrar o caminho da comunicação entre as pessoas. O desejo em se comunicar e a inteligência permitem, de certo modo, o desenvolvimento desta competência. 

A tolerância e a felicidade precisam ser alimentadas a cada dia, sem cobranças nem ressentimentos, respeitando o espaço do outro, a diferença de ideias e ideais de cada indivíduo e tolerando os limites pessoais para o bem do convívio familiar, social e profissional.


 
 
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