Novas regras para a produtividade Luís Sérgio Lico consultivelabs@gmail.com Palestrante, Consultor e Educador Corporativo. Doutorando em Filosofia, Mestre em Ética e Especialista em Gestão Estratégica de Equipes. 2011
Idioma: Português (Brasil) Palavras-chave:
Quer fazer mais no trabalho e impressionar seus
chefes? Deixe de ser mole! A maioria dos consultores e “especialistas”
em transformar sua vida num inferno, irá dizer: Você precisa trabalhar
duro, trabalhar de forma consistente e eficaz por mais e mais horas e
parar definitivamente de enrolar. Não é mesmo uma beleza?
Só que isso não costuma funcionar nem em uma fábrica
– aquele meio ambiente mecanicamente hostil, regido pelos processos
implacáveis e ganhos de escala -, quanto mais se você precisa ser
flexível, criativo e colaborativo, desenvolvendo algum tipo de trabalho
intelectual em um escritório. O que isso quer dizer? Simples: Faça menos
e faça melhor! Isto deveria ser o óbvio (ao menos para aqueles que
conhecem a distinção romana entre ócio e negócio).
Há anos eu tenho tentado dizer estas coisas aos
profissionais e sempre esbarro na mesmice. Todos acham que a melhor
forma de motivar as pessoas e cuidar da produtividade é manter o chicote
à vista e desligar a vida pessoal. Por estas e outras é que eu costumo
dizer que vivemos um neotaylorismo, trabalhamos de forma cada vez mais
compartimentada e não comunicativa, apesar de todo o lindo discurso
sobre a necessidade de se abrir a organização ao colaborador e buscar
eficiência através da qualidade. O que a maioria desconhece é que a
produtividade varia muito de dia para dia. Isso é normal.
Em um ambiente industrial, você sabe a previsão das
operações e as quantidades exatas que serão montadas ou manufaturadas,
inclusas as horas/homem de trabalho. Para os demais trabalhadores, não é
possível tal assertividade, pois você pode não saber de antemão se
amanhã será um dia em que você terá uma idéia insight brilhante, que
poupará semanas de trabalho para sua equipe e trará mais dividendos à
companhia; ou se será apenas um dia em que você gastará oito horas
olhando desanimado para seu monitor. Aqui vale a regra numero um: Não se
deve julgar sua produtividade, em um determinado dia, mas sim pela sua
média ao longo de vários dias. Nada de novo nisto!
As organizações de qualquer segmento que prestam
serviços, atendem consumidores, consertam coisas ou vendem produtos
deveriam aprender com a própria indústria. Lá eles sabem desta verdade
fundamental: Trabalhar mais horas significa obter menos efeito. Por isso
eles têm turnos! O pessoal da segurança no trabalho pode confirmar esta
condição, pois quanto maior tempo na operação, mais acidentes acontecem.
Segundo algumas pesquisas sobre os efeitos do horário
de trabalho na produtividade e os erros resultantes, dão conta que – em
média – a eficiência diminui pela metade após oito horas de trabalho em
uma semana consecutiva.
Isto pode parecer estranho, mas é importante para
compreender a lógica da entrega de resultados: para a maioria dos
trabalhadores não existe uma relação simples entre horas trabalhadas e
quantidade de serviço efetuado. Se você dobrar seu esforço, pode
terminar os relatórios e lançamentos e no dia seguinte está um caco! De
que adianta, então, em termos de produtividade este esforço?
O que toda empresa precisa não é de sacrifício, mas
de eficiência em bases regulares e previsíveis. O difícil é colocar esta
equação na cabeça dos empresários. Em um ambiente industrial, onde
máquinas e sistemas operam a toda força, quanto mais impulso, maior a
produção (e rejeitos, também). Mas, para os colaboradores em geral, a
regra é oposta. Submetidas a pressão e processos conflitantes e
ineficientes, lideranças autocráticas e aliado à longas e penosas cargas
de trabalho, as pessoas acabam tomando atalhos ou simplesmente aderem ao
presenteísmo mais eloquente. Você não pode forçar a criatividade,
proatividade, raciocínio claro e rápido aprendizado – se “todo dia temos
que fazer hora extra”. Assim, trabalhar mais tende a criar o efeito
contrário e você consegue produzir muito menos dentro de um mês.
E quanto ao seu humor? Ele é essencial para que as
coisas saiam direito! Muitas vezes adiar um trabalho chato pode ser mais
produtivo e gerar mais resultados a empresa, do que seguir o cronograma.
Se você tem um bom senso de prazos e responsabilidade, troque a ordem
dos tratores e construa um melhor viaduto. Pode ser a coisa certa para
se fazer em um momento particular. Have fun!
A felicidade no ambiente de trabalho é o melhor
amplificador da produtividade. A única maneira mais eficiente para
aumentar a sua produtividade é ser feliz no trabalho. Nenhum sistema,
hierarquia, ameaça, ferramenta ou metodologia no mundo pode fazer você
bater mais metas do que sentir-se bem e desfrutar das realizações do seu
trabalho. Nada de novo também! Se quiserem leiam Epicuro ou o último
consultor da moda.
Finalmente, não se pode ter um mar de rosas e os
desafios nos fazem suar a camisa e despertam as habilidades
profissionais. Exercitar suas capacidades frente às dificuldades e
testar limites de forma adequada faz muito bem para o caráter e
desenvolve talentos. Mas, é importante saber que tudo é uma questão de
equilíbrio auto-compensatório.
Direcione melhor suas atividades e você evitará a
miséria do tédio administrativo, os becos sem saída dos processos
estupidificantes e conseguirá fazer muito mais por muito menos.
Aliás, esta não era a regra de ouro da administração
de empresas?
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